Quando a realidade se torna ficção

Não falo por todos os escritores, mas particularmente é enriquecedor conhecer pessoas de várias classes sociais e tipos psicológicos diferentes. Digo que é importante para a escrita pois necessita-se de material humano apra se compor personagens para as histórias.
Quanto mais verídicas, mais plausíveis se tornam.
Torna-se um critério diferenciador de seu trabalho como escritor pois não só acresce-se uma profundidade que convence o leitor, assim como torna-os próximos do que é ser uma pessoa real.
Qualquer leitor, dependendo de seu microcosmo, pode se identificar com tipos que podem ser encontrados em qualquer lugar.
Essa variedade me é fascinante pois foge dos estereótipos e clichês de criação, difíceis de serem sobrepujados quando não se tem o embasamento dessa pesquisa de realismo humano. Afinal, não se pode encontrar o mesmo tipo 100% igual a qualquer outro canto do Brasil ou mundo.
Nem tudo ocorre em flores no país da criatividade.
Coexiste um problema quando se projeta características próprias da personalidade de alguém que conhecera e tivera um relacionamento. Dependendo do grau de envolvimento, meio que se mistura a ficção com a realidade, com o risco de se tender a preferir a ficção do que a pessoal real.
Mas o pior dessa situação é a realidade se desfazer e não possuir mais o contato com a pessoa. Amizades e relacionamentos desfeitos causam um impacto devastador dependendo do envolvimento emocional e psicológico mais profundo.
Havia um caso de um ex-amigo, que projetou em uma personagem de caracterização interessante a personalidade de uma delegada próxima, sendo sua chefe imediata. Tamanho envolvimento que se tornou um pesadelo como escritor e obra quando esta pessoa na vida real se tornou sua algoz, tornando sua vida pessoal um inferno. Ou no meu caso, que criei um ótimo personagem baseado no melhor amigo que acreditava ser na época. Após uma finalização dessa amizade de forma traumática, fui obrigada a matá-lo (o personagem) e retirar das histórias já criadas. Decidi pelo fato que , mesmo sendo algo inventado pela minha mente, era-me insuportável ter as lembranças reais do que fora bom, se tornarem apenas ficção.
Portanto, corre-se esse risco nesse processo os efeitos da sua prórpia criação retonarem de forma inesperada.
É por essas que uma dose mau balanceada de realismo nem sempre resulta em algo proveitoso e os efeitos podem desandar e destruir uma boa obra.

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